Jornalismo na Bolívia tem seus riscos

A cobertura jornalística na Bolívia tem seus riscos. É o que contam enviados especiais a Carla Soares Martim, do Comunique-se.

Com a agressão sofrida por três jornalistas internacionais na Bolívia e o ataque a um canal de TV oposicionista, por ocasião do plebiscito sem caráter oficial que, no domingo (04/05), decidiu pela autonomia da província de Santa Cruz do governo de La Paz, o Comunique-se falou com jornalistas brasileiros para informar sobre a situação de liberdade de imprensa naquele país. Eduardo Galdieri, chefe de fotografia da agência Associated Press (AP) - há cinco anos na Bolívia -, e Ruth Costas, enviada especial do Estadão, narram o clima de tensão. “Se você está numa chuva de pedras, uma pode acertá-lo”, disse Galdieri. “É um lugar tenso para jornalistas”, informou a repórter do diário brasileiro.

O chefe de fotografia da AP diz que o conflito, contudo, é indiscriminado, não é voltado exclusivamente a jornalistas. Galdieri informa que o jornalista fica em meio ao “fogo-cruzado” entre oposicionistas do governo do presidente Evo Morales, e favoráveis, portanto, à autonomia de Santa Cruz, e os governistas ligados ao partido do presidente, o Movimento ao Socialismo (MAS). “Agressão, aqui, faz parte do cotidiano”, acrescentou. O correspondente da agência norte-americana afirma, contudo, que o jornalista com cara de “gringo”, colonizador - branco e de olhos claros - torna-se alvo mais fácil. “As diferenças e a intolerância têm se tornado mais palpáveis na Bolívia (país composto basicamente de população indígena)”, declarou.

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