A Associação Nacional de Jornais (ANJ) denunciou as ações judiciais da Igreja Universal do Reino de Deus contra o jornal Folha de S. Paulo como uma estratégia destinada a intimidar a imprensa.
Segundo a ANJ, o que os autores dessas ações pretendem não é restabelecer sua honra ou a verdade, mas constranger uma empresa jornalística no seu dever de livremente informar a sociedade. Tanto é assim que o juiz Alessandro Leite Pereira, de Bataguaçu, Mato Grosso do Sul, no julgamento de uma das inúmeras ações impetradas contra a “Folha”, condenou seu próprio autor à pena de “litigância de má-fé”. Ou seja, o juiz entendeu que os verdadeiros objetivos da ação estão simulados.
O Estado de S. Paulo considera que as ações judiciais que incluem também o jornal carioca Extra nas dezenas de processos ajuizados contra a Folha, “pastores e fiéis” da Universal reivindicam indenizações de R$ 1 mil a R$ 10 mil, sob a justificativa de que a reportagem lhes causou prejuízos morais. Nas ações contra o Extra, os autores alegam que o objetivo do jornal não foi informar, mas provocar a “ira” dos católicos e criar um clima de “perseguição religiosa”, submetendo os seguidores da seita ao “risco diário de sofrer agressões físicas e discriminações”.
Segundo o Estado de S. Paulo, o que chama a atenção nessas ações de dano moral não é o baixo valor das indenizações pleiteadas nem a falta de fundamento nas justificativas, mas, sim, a estratégia utilizada pelo empresário para intimidar jornais e jornalistas. As ações contra o Extra foram ajuizadas não na cidade onde está a sede da empresa, mas em distintas comarcas no interior do Estado do Rio de Janeiro. Os processos contra a Folha foram protocolados em lugares ainda mais distantes – quase todos situados a cerca de 200 quilômetros da capital de diferentes unidades da Federação. E em vários processos os autores citam não somente os repórteres, mas também os diretores de redação – e todos são obrigados a comparecer às audiências, sob o risco de serem condenados à revelia.
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