A edição do jornal A Notícia, de Joinville, publicada em Florianópolis, chamada AN Capital, deixou de circular no último dia primeiro, informa o semanário de circulação restrita Jornalistas& Cia. O Grupo RBS, que já havia reduzido a sucursal do jornal na cidade em dezembro, mas sem demitir ninguém – os profissionais foram transferidos para a sede de AN, em Joinville, ou para o Diário Catarinense, também integrante da empresa em Santa Catarina –, decidiu descontinuar a edição alegando, segundo o Sindicato dos Jornalistas, questões financeiras. Na nota que emitiram em repúdio à medida, exigindo a manutenção dos postos de trabalho dos jornalistas cujas demissões foram anunciadas, o sindicato e a Fenaj informaram que na época da aquisição de A Notícia pela RBS, no final de 2006, a redação contava com cerca de 30 profissionais e, no dia 31 de janeiro, ao anunciar a última edição, havia apenas 12.
A Notícia, fundada em fevereiro de 1923, contava, quando foi comprado pelo Grupo RBS, em setembro de 2006, com 437 colaboradores e tinha uma tiragem média diária da ordem de 31 mil exemplares.
À época o Midiablog comentava que a compra de A Notícia
pelo Grupo RBS
, causou preocupação entre jornalistas catarinenses, por conta da eliminação da concorrência. Na busca da eficiência houve demissões, estimadas em até 40% segundo o blog Mídia e Cidadania
. O assunto foi também caso de estudo pela Universidade do Vale do Itajaí
. O grupo comandado por Nelson Sirotsky já tinha os outros dois jornais mais importantes do Estado de Santa Catarina, o Jornal de Santa Catarina
e o Diário Catarinense
. Foi também assunto de uma análise sobre os planos do grupo pelo Observatório da Imprensa
. O jornalista Cesar Valente apontou outros problemas no seu blog De Olho na Capital
: “Um dos principais problemas criados com a venda do jornal A Notícia é o tempo muito longo de transição. Até o dia 21 de setembro (de 2006) os colegas jornalistas, especialmente da sucursal de Florianópolis, terão que fazer das tripas coração para conseguir trabalhar “normalmente”. Sem saber se serão demitidos imediatamente ou depois de algum tempo, sem ter certeza de nada, porque os novos donos provavelmente mudarão a forma de A Notícia atuar. Os jornalistas devem estar vivendo momentos difíceis, de grande desânimo. Espero que alguém, na diretoria que está deixando o jornal, encontre forma de fazer com que os aspectos humano e emocional das redações sejam contemplados nessa transição. No mínimo como uma espécie de gesto simpático e solidário de gratidão e despedida”.
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