O Flash nos sites de notícias

Os jornais colombianos parece que encontraram o modelo gráfico para os antigos flashes (notícias importantes) que antigamente eram anunciados com campainhas nas teleimpressoras das agências de notícias. A libertação da colombiana Ingrid Betancourt por parte da guerrilha das Farc foi o ensaio dessa nova modalidade.
A notícia foi importante em vários países e é lógico que ocupe toda a largura do site, mas os jornais colombianos El Espectador e El Tiempo inovaram ao publicar diretamente a notícia mais importante como única opção do endereço eletrônico, interpretando assim que todos seus leitores só queriam saber detalhes do fato. Ao entrar no endereço desses dois jornais, os leitores só podiam ler a notícia mais importante e mais nada. Isto é, ninguém podia navegar por outras seções. O jornal espanhol El País, decidiu dar a notícia de forma destacada, mas deixando a possibilidade de navegação livre para os leitores.

La Nación reforma seu site

La Nacion, um dos mais importantes jornais argentinos, reformou todo seu site para adaptá-la aos novos tempos. As versões online dos jornais, inclusive os tradicionais como La Nación, deixaram há muito tempo de ser meras cópias das edições impressas, para concorrer com características próprias com a rádio e a televisão. Muitos jornais resistem à idéia de criar outra sala de redação e a contratar profissionais especializados na publicação de notícias na internet, mas essa parece uma tendência irreversível.
Jornais tradicionais como La Nación, verdadeiros guias de setores da opinião pública, têm na opinião de seus colunistas, um dos principais fatores da fidelidade de seus leitores de suas edições impressas, e também disputam um público que a cada instante procura na internet as novidades do dia, ou simplesmente se distrair. Isso La Nación faz muito bem, da mesma forma que seu principal concorrente, o Clarín.
Ambos enfrentam justamente a ira de um governo que não gosta das críticas e incapaz de compreender que uma das funções essenciais da imprensa é exercer o direito à crítica e promover o debate público como parte de suas obrigações com a democracia.

O Destino do Jornal

Jornalistas e Cia convida para o lançamento de O Destino do Jornal (Editora Record), resultado de um mestrado que Lourival SantAnna fez na ECA-USP sobre o que está acontecendo com o meio jornal (focado na Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo) no contexto das atuais transformações, sobretudo com a internet. Repórter especial do Estadão, ele entrevistou os diretores de Redação dos três jornais, além de Ramón Salaverría (Navarra) e Nicholas Negroponte (MIT), e também usou uma pesquisa focus group com o público-alvo, bem como a literatura mais recente sobre o tema. A orelha é de Rosenthal Calmon Alves e, na contracapa, comentários de Carlos Eduardo Lins da Silva e de Gilson Schwartz. A sessão de autógrafos está marcada para as 20h30 da próxima 2ª feira (30/6), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo (av. Paulista, 2.073), mas uma hora antes, às 19h30, haverá um debate reunindo Otávio Frias Filho, da Folha de S.Paulo, Rodolfo Fernandes, de O Globo, e Ricardo Gandour, do Estadão, diretores de Redação dos três jornais analisados na obra. A professora Beth Saad, da USP, que orientou a tese de Lourival, mediará o debate.

Uma agência de notícias não é um blog

“Uma agência de notícias não é um blog em que todos os protagonistas políticos ou econômicos podem pendurar comunicados a seu bel prazer”, disse ontem ao Le Monde o presidente da Sociedade de Jornalistas da AFP, Christophe Beaudufe, dando sequência à polêmica que enfrenta o governo de Nicolas Sarkozy e boa parte da mídia francesa. A declaração é uma resposta à sugestão feita pela ministra da Cultura, Christine Albanel, para que a AFP publicasse todos os comunicados de partidos políticos e sindicatos.
A disputa exemplifica bem o desconhecimento que em geral os políticos tem a respeito da imprensa. Geralmente, quando as coisas vão mal, a culpa é da imprensa.

Sarkozy pressiona à AFP

A briga entre o governo do presidente Nicolas Sarkozy e a Agência France Presse ocorre no momento em que a agência, financiada parcialmente pelo Estado, discute seu orçamento de 263 milhões de euros para os próximos cinco anos, informa o Le Monde. A agência quer 20 milhões de euros suplementares para desenvolver projetos multimídia. A briga de Sarkozy, concentrada nas pressões contra a AFP, na verdade é contra toda a imprensa, da qual se queixa constantemente. Ele atribui à imprensa a queda da sua popularidade.

Pode ficar a AFP contra o governo de Sarkozy?

A edição desta semana da revista Carta Capital publica uma longa reportagem sobre TV pública no Brasil. Há dificuldades de toda ordem para a sua implantação, mas certamente o Brasil precisa de uma TV pública. Nesta semana, os jornais franceses dão destaque justamente à uma disputa entre os que querem direcionar a imprensa e os jornalistas que defendem a independência editorial. A polêmica começou com a reclamação do porta-voz do partido do governo (União por um Movimento Popular, UMP - de centro-direita), Frédéric Lefebvre, porque a agência estatal AFP não deu a mínima para um de seus comunicados. Lefevre disse que a AFP censurou o comunicado. Para piorar as coisas, a ministra da Cultura, Christine Albanel, deu uma entrevista ao Journal du Dimanche na qual sugeriu à AFP a publicação de todos os comunicados dos partidos políticos e de organizações sindicais.
A Sociedade de Jornalistas da AFP retrucou dizendo que isso não é jornalismo e que a agência faz jornalismo. “Nosso trabalho jornalístico é produzir informação comprovada, editada e colocada dentro de seu contexto”, explicou Christophe Beaudufe.

Jornalismo na Bolívia tem seus riscos

A cobertura jornalística na Bolívia tem seus riscos. É o que contam enviados especiais a Carla Soares Martim, do Comunique-se.

Com a agressão sofrida por três jornalistas internacionais na Bolívia e o ataque a um canal de TV oposicionista, por ocasião do plebiscito sem caráter oficial que, no domingo (04/05), decidiu pela autonomia da província de Santa Cruz do governo de La Paz, o Comunique-se falou com jornalistas brasileiros para informar sobre a situação de liberdade de imprensa naquele país. Eduardo Galdieri, chefe de fotografia da agência Associated Press (AP) - há cinco anos na Bolívia -, e Ruth Costas, enviada especial do Estadão, narram o clima de tensão. “Se você está numa chuva de pedras, uma pode acertá-lo”, disse Galdieri. “É um lugar tenso para jornalistas”, informou a repórter do diário brasileiro.

O chefe de fotografia da AP diz que o conflito, contudo, é indiscriminado, não é voltado exclusivamente a jornalistas. Galdieri informa que o jornalista fica em meio ao “fogo-cruzado” entre oposicionistas do governo do presidente Evo Morales, e favoráveis, portanto, à autonomia de Santa Cruz, e os governistas ligados ao partido do presidente, o Movimento ao Socialismo (MAS). “Agressão, aqui, faz parte do cotidiano”, acrescentou. O correspondente da agência norte-americana afirma, contudo, que o jornalista com cara de “gringo”, colonizador - branco e de olhos claros - torna-se alvo mais fácil. “As diferenças e a intolerância têm se tornado mais palpáveis na Bolívia (país composto basicamente de população indígena)”, declarou.

Cai circulação do NYT

A publicação especializada em mídia Editor & Publisher registra forte queda na circulação da versão impressa do New York Times e um pequeno aumento do Wall Street Journal, com informações do Audit Bureau of Circulations correspondentes ao semestre que terminou em 31 de março. A edição dominical do NYT caiu 9,2%. Significa que 150.000 pessoas deixaram de comprá-lo aos domingos e que 1,4 milhão de leitores mantém esse hábito. Nas edições da semana a queda foi menor 3,8%. Os especialistas atribuem a queda à busca mais frequente de notícias, informação e entretenimento nos sites de notícias na internet.

O Homem da Guerra

O Homem da Guerra é um desses retratos dos raros jornalistas que sobrevivem à cobertura de conflitos violentos. Carta Capital a publica na sua versão impressa, mas infelizmente não está disponível na edição online da revista. A íntegra pode ser lida no original em inglês, no semanário inglês The Observer. É uma leitura recomendada para qualquer jornalista. A repórter Rachel Cohen, que passa apenas algumas horas com ele, destaca o caráter e a seriedade deste correspondente do jornal britânico The Independent que já fez, entre outras, três entrevistas com Osama Bin Laden. Na edição de hoje The Independent traz uma matéria dele. Nas livrarias brasileiras ainda está a venda A Grande Guerra pela Civilização e Pobre Nação, sobre as guerras do Líbano. A série de matérias sobre ele na imprensa internacional anunciam a publicação do seu último libro: A Idade do Guerreiro.

O Correio Braziliense (online) está de cara nova

A versão online do Correio Braziliense, jornal líder de Brasília, está de cara nova. Trata-se de uma modernização no design com incorporação de vídeos, blogs, e menus horizontais. O Correio Braziliense demorou mais do que outros jornais brasileiros para investir em sua versão online. A Folha de S. Paulo fez a mesma coisa há quase dois anos. A política conservadora do jornal em relação à internet é apontada por alguns como uma das causas para o crescimento vertiginoso de um site especializado em imóveis na capital federal, tirando do jornal uma das melhores fontes de recursos: o caderno de classificados.
O novo site do Correio Braziliense parece não acreditar muito no potencial da seção Divirta-se, que é um dos seus maiores atrativos (quando o usuário clica na Divirta-se não abre uma nova tela com o conteúdo exclusivo da seção, como era de se esperar).
O jornal tem excelentes colunistas como Vicente Nunes, que já teve coluna no jornal impresso, que escreve notícias exclusivas no seu blog. Muitos jornais preferem manter colunas especiais, seja na versão impressa e na versão online, para esse tipo de informação, e dar espaço para seus colunistas escreverem um blog com informação de bastidores, confidências e um texto mais pessoal, em linguagem coloquial.
Mas, um dos maiores problemas do Correio e de muitos jornais brasileiros é apostar ainda na possibilidade de obter retorno financeiro com a venda dos seus conteúdos, tornando-o restrito para assinantes. Os grandes jornais do mundo constataram que seu retorno pode ser maior com conteúdo aberto (gratuito). Isso gera um volume de acessos muito maior que por si só se torna um argumento de venda de espaço publicitário.